O tão esperado julgamento do Caso Zaira vai, mais uma vez, tentar sair do papel. No próximo 1º de dezembro, às 8h30, no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal, o tribunal tentará pela segunda vez levar adiante o júri do policial militar Pedro Inácio Araújo, acusado de estuprar e matar a jovem Zaira Cruz, de 22 anos, durante o Carnaval de 2019, em Caicó.
Sim: 2019. O crime completa quase sete anos, e o que ainda falta resolver? Quase tudo.
Um júri que não anda
A primeira tentativa de julgamento, em junho deste ano, terminou em mais um daqueles episódios que ajudam a explicar por que processos no Brasil se arrastam por anos: a defesa abandonou o plenário. Alegou cerceamento por ver perguntas indeferidas; o Ministério Público discordou, afirmando que poderiam ofender a dignidade da vítima; o juiz acatou o MP e, diante disso, os advogados saíram.
Fim da sessão. Recomeça-se do zero ou quase.
Quando tudo foi interrompido, o trabalho já tinha avançado: todas as testemunhas de acusação haviam sido ouvidas. Ainda assim, foi preciso remarcar tudo, agora seguindo o apertado calendário da 2ª Vara Criminal. Resultado: mais meses de espera, mais atrasos, mais sensação de que o tempo corre rápido para todos, menos para o sistema judicial.
Um processo que mudou até de cidade
O caso inicialmente tramitou em Caicó, mas acabou sendo transferido para Natal após pedido da defesa, que apontou risco à imparcialidade do júri devido à repercussão regional.
Mais deslocamentos, mais remarcações, mais passos burocráticos e Zaira, cuja morte ocorreu em março de 2019, continua sendo lembrada não apenas pela tragédia, mas pela lentidão com que sua história avança nos tribunais.
Agora, resta saber se, na segunda tentativa, o júri finalmente avança ou se veremos mais um capítulo de interrupções e atrasos que só reforçam o desgaste de uma justiça que parece sempre chegar tarde demais tanto para os vivos quanto para os mortos.
